quarta-feira, 10 de novembro de 2010

blackout.

E você se mistura com as luzes - tão brilhantes vistas de cima - e o movimento quase em câmera lenta do seu rosto distanciando-se e adentrando cada vez mais para o ponto movimentado da avenida. E você se mistura com as luzes frias do inverno, bochechas avermelhadas, luvas azuis, luz em forma de círculos refletindo a sua expressão de alguém que esconde segredos da alma. E eu me misturo com as luzes, no ambiente escuro e fechado, mas igualmente mágico como o seu, o meu movimento quase em câmera lenta de um leve sorriso distante, afundando cada vez mais na fé dos sonhos. E eu me misturo com a luz quente do verão, joelhos de fora, fita cor-de-rosa no cabelo, luz em forma de círculos refletindo minha expressão de alguém que segura a folha de um livro, com medo de solta-la pra que se vire completamente, com medo que o peso da gravidade nunca ajude. Um dia as luzes misturaram-se quase juntas, você recorda, eu recordo, um dia as luzes misturando-se quase como fogos de artifícios. Diria então que foi em um dia assim que as luzes surgiram, um dia assim também que as luzes apagaram. Nós? As nossas mãos sim, mesmo que soltas ainda se encaixam completamente naquilo que fazem os pequenos fagulhos elétricos e brilhantes acenderem. Nós? Hora acesos, hora apagados, mas sempre constantes dentro da nossa própria – e única – iluminação. Nós? Pontinhos em branco e amarelo, mais rosa do que azul talvez, vagando pelo mundo imaginário do qual fizemos questão de criar e se manter acesos - mesmo dentro desse imenso apagão.

Apaguei a luz do quarto e sonhei com você.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Leve como uma caixa cheia.

"Deixa estar que o que for pra ser vigora"



Quando os redemoinhos não levam pra parte que mais dói, quando as músicas que antes sufocavam se tornam apenas músicas, e toda aquela força pra esquecer se torna vontade de lembrar, porque lembrar já não machuca. Então a única coisa a ser atravessada é a fase da procura, é saber distrair-se o bastante a ponto de. Um pouco de serenidade quando os dias anteriores foram duros e cinzas. E agora com muita calma – ou urgência – tranquilizar-se com o que acontece, com o que está prestes a acontecer, e conformando-se com a alternativa de nada vir a acontecer, mas saber reconhecer cada minuto diferente do que era. O pior já passou. Lembrando sempre e não morrendo a cada esquina mais. Suspirando aliviada por entre as coisas do dia-a-dia, até deixar de ser. Bastando-se apenas. É hora de voar com asas novas. E não ter pressa, que só assim as belas coisas não fugirão aos olhos. Acreditar que pode ser e que tudo vai dar certo, e mesmo atolada de dificuldades e medos sentir que tudo ficará bem na hora certa, tudo, tudo bem. E mesmo sem grandes novidades, sentir como se pudesse libertar antigos sentimentos, mesmo que os sonhos, os poços e as marcas continuem as mesmas. Voltar a ver o céu sem nuvens, sem más cortinas de ilusão, sem cinzas permanente e principalmente sem a falta de esperança. Fazer surgir uma roda cheia de acasos e encontros futuros. E ser breve, como a tempos não era.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

zona de conforto.

Era preciso sair dali para enxergar, era necessário mais que dois passos em direção a ventania para que pudesse ficar claro. Abrir os portões - dois - que dizem que fica um do lado do outro, mas que dizem também ser bem difícil atravessa-los ou saber exatamente qual é qual. Talvez não exista portão nenhum, talvez seja invenção, não é? Pode ser que seja. Mas ainda assim era preciso se mover para ter certeza, uma certeza branda e escura, como água escorrendo sobre a cidade poluída. O grande problema, - se é que estar perdido pode chegar a ser um problema – era que a linha a ser atravessada era muito fácil na teoria e incrivelmente desesperada na prática. Podia ser apenas por falta de atenção interior, ou sei lá, falta de coragem para encontrar o que não se procura. É, está tão bom dentro disso que não nos permitiríamos sair da nossa própria invenção cotidiana, tecendo cada vez mais as pequenas histórias - com “h” mesmo -, para não se lembrar de outras coisas aparentemente sujas e insossas. Aqui dentro se pode dizer que as palavras que começam com “in” e terminam com “dade” sempre foram bem-vindas e apreciadas lentamente com as pontas dos dedos finos. Essas assim como: intensidade, intimidade, insanidade e tantas outras que poderia citar mas que prefiro deixar mortas no dicionário - para não sair ou entrar aqui onde constantemente amanhece e anoitece tão friamente que congela até as coisas coloridas e brilhantes. Tem vezes que arrisco e vejo, o estranho dessa visão aguçada é que também te vejo em todos os lugares: no jeito daquele virar o pescoço lentamente pro lado, no jeito do cabelo de outro, na barba mal-feita do dono do bar da capital, nas pessoas dançando freneticamente nas noites de sábado, na boca avermelhada da moça no trem, em qualquer lugar, as pessoas parecem tanto contigo, parece coisa feita, dizem que isso acontece quando sentimos muita saudade, acho que deve ser coisa de algum desses deuses egípcios, mágicos marroquinos ou escritores bagunçadamente gaúchos que fazem esse tipo de coisa dolorida acontecer pra enlouquecer a gente devagar. Acho na verdade que são essas pessoas que não entendem as boas intenções de continuar limpinho no meio dessa sujeira – como se estivéssemos presos dentro de uma lata de lixo não reciclável, cheios de pó branco na cara, suor de covardias e purpurina de fantasias carnavalescas grudados na pele arranhada, cheiro de comidas amanhecidas e de bebidas azedas -, pessoas que não entendem que a gente pode continuar pegando na mão apenas por carinho, por pura proteção ou pra invocar Iemanjá, nada mais que isso. Tem quem não entenda isso, tem gente que não entende que as coisas podem ser bem simples, bonitas e verdadeiras, - mesmo nessa época - porque pelo menos eu ainda costumo escutar o que as pessoas tem pra falar, tão de coração aberto, tanto fora quanto dentro do que é bom pra mim, tem gente que não entende sabe? Talvez falem, mas no fundo só querem que a gente escute por puro egocentrismo, mas eu mantenho intacta essa capacidade de entender, já que muita gente nesse mundo não para mais pra ouvir os outros, nem pra ouvir a si mesmo - grande mentira. Além dessas vezes que saio e vejo tudo igual, não me arrisco a atravessar a névoa esbranquiçada de fumaça de cheiro amargo. No máximo vejo os néons, que de algum modo – também misterioso – me deixam bem, é a única coisa no mecanismo que sou capaz de enxergar além. Mentira, não é só nisso que vejo, por isso a dúvida entende? Talvez eu tenha ultrapassado a tempo a ventania e esteja bem no centro, fora de mim mesma, fora do círculo, fora do movimento, e talvez seja isso que me abra os olhos e me faça continuar perfeitamente preparada para entender o fundo da poça de lama que nos encontramos ou para afastar as coisas feias por natureza ou agarra-las até o ultimo fio, já que não faz diferença nesse estado onde se vê além, onde se enxerga além da roda-gigante, que há muito tempo nem existe mais. Infelicidade, Incapacidade, Instabilidade é um portão. Felicidade, Simplicidade, Verdade é o outro portão que a gente tira o In de Invisibilidade e só aproveita pra ver bem além do nada e do tudo, além de mim e de você que sangra todo dia em corpos que não são seus e memórias que não são mais minhas.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Navegando nessa imensidão de pessoas sem rosto, sem identidade. Copiando versos de muros, tirando fotos do próprio isolamento. Costurando enfeites fúteis na alma para depois descosturar e sumir com a superficialidade dos pontos dados. Perdendo a calma no meio desse borrado de faces, dessa procura irreal por coisas que não chegarão no momento certo - nem no momento errado, pois já não existe a forma temporal dos acasos. Deixar embaixo da cama o que sobrou e só arriscar tirar dali por bons motivos. Falar em alto e bom tom que tudo não passa de invenção maligna dos seres discretos. Mantendo-se transparente mesmo quando os sem nome te olham e passam a te despir em qualquer lugar que ouse encontrar uma porta. As certezas afundam no raso e não sabem se querem ser salvas. No meio da poça, é preciso escolher, desistir? E viver do que meu Deus, do que? Das imundas farsas das pessoas sem rosto? Ou pintar todo dia um rosto novo? Mergulhar acreditando no próprio rosto pintado e piedosamente frágil? Só ser, independente dessa humilhação por não saber onde está e nem como irá reagir. Voltar a sentir e supostamente alguma coisa pode acontecer. Deixar de sentir e nunca mais se machucar. Usar então o próprio rosto sem artifícios como sempre foi, e andar - ou correr - em busca da liberdade entre o sufocado mar de gente identificavelmente (des)conhecidas.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

A água penetra em minha pele, molha a minha carne, habita no inatingível do meu interior, até então, pouco corroído. Me encharca sem pedir permissão. Fecho os olhos e deixo que me lave, que escorregue sobre meu corpo, que brinque com meus cabelos e vagarosamente me beije. Chove também dentro de mim, talvez uma tempestade, levando de um lado para o outro tudo o que permanecia parado. Movimenta a certeza que mesmo que o líquido cristalino caísse lentamente, mesmo que não houvesse movimentos bruscos, ainda assim ficariam as poças e as marcas por onde essas gotas circulassem e - por consequência - atingissem o solo. Não me atrevo a correr. Posso suportar o frio e até mesmo a sensação de duros pingos invadindo minha face, minha alma. Sinto o barulho desses pingos caindo no chão de concreto, nos telhados, na grama, em mim. A água acaricia meus ombros e deixa rastros de gelo em forma de pingos definidos e perfeitos, feito lágrimas doces. Me invade e eu não corro. Me bagunça e eu não ligo. Me deixa isolada e ainda assim me pertenço. Permaneço parada em baixo do céu, não preciso fazer nada além de sorrir singelamente acompanhada da brisa de um profundo inverno que não mora comigo, mas que agora, vezenquando me visita.
Não quero só ver a água caindo através do vidro embaçado da janela, quero sentir - dizia a garota de tranças mal feitas, meias brancas até o joelho, enquanto os olhos cheios daquele líquido doce escorriam em movimento contínuo igual ao lá de fora.
*
Aos poucos o som da chuva passava, e esquecia. Voltava a ser o que sempre foi: bicho acuado no quarto escuro. Sem toques, uma criança sem seu brinquedo, intacta. Poucos portos-seguros. Sem ninguém pra gostar de sua simplicidade. Um grito no meio do silencioso tempo instável. Um dia, ainda sendo o que sempre foi, estaria lá no meio da pureza que vem do céu - disso tinha certeza.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Era um final de tarde de agosto quando coloquei o cartão-postal no correio. Escrevi muitas coisas nele, nem sei como coube tudo. Me lembro de algumas coisas que na hora me pareceram coerentes:


"Queria que você estivesse aqui. Amsterdã continua absurdamente linda. Tudo bem, não tão linda como naqueles meses em que você esteve aqui. Fui no café ontem, onde ficávamos por horas esperando o frio amenizar lá fora. Foi assim que me deu vontade de te escrever, mesmo que você não tenha mais entrado em contato. Não recebi mais suas cartas, faz tanto tempo não é? Eu só queria que você soubesse que senti a sua falta. Queria que você soubesse como eu me senti quando estive com você: protegida, firme, e capaz de qualquer coisa. Você me olhava diferente quando tinha vertigens do futuro e quando eu ameaçava sair do seu lado, você deixava escapar que o que sentia por mim também era intenso e absoluto. E o modo como me abraçava, querendo meu bem, tentando me manter fora dos próprios medos, longe das dúvidas e dos males lá de fora. Você adorava quando eu deixava cair meus cabelos sobre seu rosto, passava horas brincando com eles. Lembra-se de como era natural que você cantasse baixinho com sua voz rouca aquela música de Caetano? Não, era Roberto, meu Deus, nem parecia brega - e talvez nem seja - nesses momentos, porque tudo sumia e só ficava sua voz quente na minha orelha fria. Você me conquistou definitivamente quando usou aquele seu moletom pra dormir, eu o amava, é verdade, passei a comprar só roupas daquela cor por um bom tempo - fui mesmo idiota, eu sei. Pode parecer contraditório - e você sabe o quanto eu sou - mas te escrevo enfim sem sentir nada, nem dor nem nada parecido. Me dei conta que te esqueci, essas coisas que citei foram as únicas coisas que ficaram na memória, o resto foi sumindo, sumindo até não restar mais nada, nem a cor dos seus olhos eu me lembro mais, é uma pena. É como saber que assistiu um determinado filme, mas não lembrar de nenhuma cena inteira, não saber nem do que se trata a história. Eu temo, porque sei que se eu voltar a assistir um filme do qual eu não recordo, no primeiro frame de segundo eu irei lembrar - por isso deixei de ir em locadoras, deixei de ver os filmes de Truffaut e de Godard, que eu gostava tanto - acho que fugimos e deu certo. A memória nos prega cada peça não é? Mas é isso, não alimento mais essas coisas todas. Tudo foi um acaso. Um perfeito erro de cálculo. Respiro fundo entre as ruas da cidade, e seu cheiro não está mais em lugar algum. Sou com toda a certeza uma estrangeira acostumada com a distância. Acho que estamos indo pelo caminho certo, estamos vivendo apesar de, e acho mesmo que passou, acho que agora estamos livres novamente. Te desejo fé, em qualquer coisa. Que seja doce, como já dizia aquele escritor. Ps: É a última vez que escrevo para e sobre você - odeio ser repetitiva, piegas e clichê. Eu te amo.
De sua - para todo o sempre - B."

Era um final de tarde de agosto quando coloquei o cartão-postal no correio. Desejei com todas as minhas forças que ele nunca chegasse ao seu destino. Afinal, ele era metade verdade, metade mentira. Bastava escolhermos em qual parte acreditar.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

fantasia calada.


Ficou amordaçada por um bom tempo. Impedida de falar, de lembrar, de viver. Não apenas a boca havia sido calada, como todo o resto. Vácuo. Prisioneira das próprias escolhas. Impedida até de enxergar. É verdade que achava que era feita de vidro e que poderia cair no chão a qualquer momento, sendo quebrada em milhões de pedaços -, um esparramado de cacos, que não voltariam a se juntar. Dúvidas. Desencontros. Passou dias no escuro. Não via, não falava, não existia. Um penduricalho fantasioso. Vivendo no submundo. Diferente. Há pouco tiraram sua mordaça - mas não acenderam a luz. Tentou falar, mas não havia voz alguma. Desaprendeu a língua dos homens. Esforços em vão. Não quer mais falar, não tenta mais. Melhor assim? Não sabia até que ponto a julgavam sem entender seus mistérios. Acostumou-se com a situação ao ponto de - simplesmente - abstrair a dor. Miudezas. Logo voltariam com aquela coisa e a tapariam inteira novamente. Em meio ao breu pensou: O que há de se fazer contra aqueles que tudo calam? Encarcerada e muda, jamais obteve tal resposta, mas descobriu que nada nela era de vidro, - talvez carne e osso, revestida com uma camada espessa de frieza.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

caindo em tentação pelo verbo descobrir.

Tenho descoberto algumas coisas incríveis. Ontem quando acordei percebi que o silêncio que essa casa pode fazer é de certa forma culpa minha, por me manter tão ausente mesmo com o corpo escorregando da cama. Fiquei sabendo também que adoraria ter vivido na década de 60, 70 ou 80 e que a atriz que interpreta a Edie Sedgwick naquele filme tem um sorriso que me paralisou por boas horas. Sem mencionar que tenho irritado as pessoas por viver-nesse-mundo-de-fantasia-tão-fechadinho-que-eu-criei. E que Virginia Woolf se apaixonou perdidamente por uma mulher. Percebi que o mofo nas minhas antigas coisas tem me dado enjôos quase iguais aos de quase estréia. Descobri com raiva que realmente queria que tivesse sido eu a ter escrito as frases como aquela do relógio na avenida ou as do dragões e todos os seus paraísos. Descobri que é preciso ter muita calma e força de vontade para continuar sem as músicas, as atrizes e as frases daquela época... e que uma jaqueta de couro agora cairia muito bem.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

de uma série de desesperos lúcidos.

Anda cada vez mais imersa dentro de si mesma. E sente cada vez mais frio. Os pensamentos caem no chão, como as gotas de chuva fresca desse tempo cada vez mais caótico. Então suspira. E anda de um lado para o outro sem saber se é sim ou se é não. E se perde cada dia mais dentro da fértil e estranha imaginação. E tenta dormir. E acorda para tomar café. E escreve sem pensar, sem parar - com muita urgência. E fica horas sem sentir. E pensa e pensa e pensa e se perde dentro dessa imensidão que é seu corpo, sua mente e seu coração. Tão apavorados sem motivos óbvios. Então se preserva feliz - sem reservas. Tão cheia de qualquer coisa que a mantenha viva. Tão cheia de se sentir vazia. Tão cheia.

domingo, 23 de maio de 2010

frozen.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Sem a menor intenção, estou sentada no meio da cidade, acompanhada do frio de quase junho. O ar gelado contorna minhas roupas grossas e encosta em minha pele, de um jeito cruel, de um jeito dolorido, amortecendo tudo. Vejo as mesmas coisas de quando esteve ao meu lado e sua presença já não faz tanta falta, as coisas continuam igual. Me sinto livre em apenas perguntar "como você está?" assim, sem culpa, sem medo de ainda parecer ridiculamente apaixonada, sem esperar nada além de um "estou bem". Já não é preciso calcular verdades que antes eram escondidas. O tempo agora não está mais propício para isso. Peço um café quente e ele vem em uma xícara levemente vermelha. Nada me trás calor, nem o atrito dos lábios com o líquido quente, nem os pensamentos e lembranças. Pensar em você já não me esquenta, e o pouco apego é tão sufocante quanto o vento que corta o rosto, paralisando os movimentos pouco a pouco. Inteiramente desfocado, os desejos, a rua, as pessoas e as promessas perdidas. Da boca já não saem palavras, existe apenas um sopro que se mantém quente em meio ao ambiente congelado, que logo se desfaz. Como se não houvesse nada, como se nada tivesse acontecido ali, me levanto e vou embora, o frio continua cada vez mais forte, insistentemente me acompanha, e já não tenho sua mão para segurar e nem você para me aquecer. Frio não dói, mas às vezes - só às vezes - parece incomodar muito.