domingo, 23 de maio de 2010

frozen.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Sem a menor intenção, estou sentada no meio da cidade, acompanhada do frio de quase junho. O ar gelado contorna minhas roupas grossas e encosta em minha pele, de um jeito cruel, de um jeito dolorido, amortecendo tudo. Vejo as mesmas coisas de quando esteve ao meu lado e sua presença já não faz tanta falta, as coisas continuam igual. Me sinto livre em apenas perguntar "como você está?" assim, sem culpa, sem medo de ainda parecer ridiculamente apaixonada, sem esperar nada além de um "estou bem". Já não é preciso calcular verdades que antes eram escondidas. O tempo agora não está mais propício para isso. Peço um café quente e ele vem em uma xícara levemente vermelha. Nada me trás calor, nem o atrito dos lábios com o líquido quente, nem os pensamentos e lembranças. Pensar em você já não me esquenta, e o pouco apego é tão sufocante quanto o vento que corta o rosto, paralisando os movimentos pouco a pouco. Inteiramente desfocado, os desejos, a rua, as pessoas e as promessas perdidas. Da boca já não saem palavras, existe apenas um sopro que se mantém quente em meio ao ambiente congelado, que logo se desfaz. Como se não houvesse nada, como se nada tivesse acontecido ali, me levanto e vou embora, o frio continua cada vez mais forte, insistentemente me acompanha, e já não tenho sua mão para segurar e nem você para me aquecer. Frio não dói, mas às vezes - só às vezes - parece incomodar muito.

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