quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

sobre o que se pensar depois de.

É como os versos que cabem em uma folha de papel, mas transbordam por todas as bordas. É um esparramado de todo o seu nada e todo o seu tudo. São seus pudores jogados no ventilador. É onde você é capaz de se enxergar até no escuro (e conheço muita gente que teve medo do escuro até os 65). É onde você chega tão fundo que teme pela falta de ar. Mas é preciso ir até o mais íntimo e, como se não bastasse, assumí-lo. É assim também com os medos, as fraquezas, os pontos tão demasiadamente humanos (como já dizia Nietzsche). É dar sem esperar o troco. É saber, mais uma vez, que você não sabe nada, mesmo que tenha encontrado algumas respostas. É esquecer tudo em volta e tocar no ponto mais iludido, nas vontades mais inconscientes, nas partes mais secretas e no peito mais surrado. É transformar a tua parte que mais chora em um belo retrato e a tua parte que mais ri em algo devastador. Porque nem sempre dá pra ser corajoso. Mas é sim, correr o risco de parecer idiota com um puta orgulho disso. É arder, é chafurdar, é aprender. É mergulhar nas fugas até que elas se tornem estadas. É não abdicar a todos os arrependimentos e despreparos, mas aceitar o minuto passado. Desejar, entregar, se comover. Se achar o maior covarde do mundo por correr, mas fazer disso um propulsor, uma escada ou qualquer coisa que, um dia, te sirva na parada. É voar, insistir, e jamais se negar, jamais negar pavores, jamais esconder autenticidade, e jamais deixar pra lá os acertos. É ficar nu diante de si mesmo (e do mundo) . É ser obsceno, virgem, bicho arisco, bicho que se entrega primariamente ao prazer. É pulsar. Espremer até a última gota, se afogar em tudo o que a vida te mostra, te explode na cara e te encanta. É deixar se perder, de uma forma ou de outra, pra se achar de um jeito extremamente profundo e real.

Nenhum comentário:

Postar um comentário