Estou sentindo alguma coisa estranha. Por favor, feche a porta. Fique para o lado de dentro idiota. Não sei se devo, mas deixo você entrar, só fique sabendo que não dá mais pra voltar se você, por acaso, resolver sair. Você não pode falar dessas coisas agora, entenda. Não consigo me mexer. Para de me olhar com essa cara, ainda estou respirando. Sim, meus olhos ficam ausentes quando isso acontece, eu fico meio ausente as vezes, mas quem é que percebe? Claro que não sei pra onde ir e nem o que fazer se eles entrarem aqui. Você sabe? É tudo de propósito, tudo. Me alcança a toalha, preciso me secar. Olha aqui, vem ver se esse corte está mesmo prestes a sangrar. Porra! Para de repetir que não se importa. Não, não foi com você. Recolha as roupas estendidas na janela e a feche também. Cuidado com essa sujeira, olha meus livros, meus acasos, meu sorriso, cuidado. Eles foram embora logo depois que eu entrei, já te disse. Deve ter sobrado um ou dois, eles adoram me meter em problemas. Já não pedi clareza? ao menos agora, ao menos quando eu mais preciso. Ah, idiota, pare de rir, estou falando sério. Larga essa chave, joga fora. Não posso mais sair daqui, será que você não entende? Olha o absurdo contido nas suas palavras, não é hora de me negar um pouquinho de verdade. Eu devia ter dito tudo antes, mas não sabia que voltaria a acontecer. Ainda não eram quatro horas, errei novamente o horário, maldita distração imposta de sempre. Cuidado, você quase tropeçou no meu orgulho. Não estou tentando nada. Só quero ficar aqui dentro enquanto eles não vão embora. Seca meus cabelos? Pedir pra você curar meus ferimentos já seria pedir demais, eu sei, eu sei idiota. O que é isso na sua mão? Porra! Você também esteve lá fora? Você tem um corte igualzinho ao meu, mas não vamos medir profundidade agora, por favor, não há tempo. No armário deve ter curativos, pega ali, não tenha medo de invadir demais, só cuidado com a esperança que eu deixei embaixo da cama. Logo logo eu a tiro dali e troco pelas expectativas usadas e gastas, não se preocupe. Pronto, vem cá, vou cuidar da sua mão, vou cuidar de você. Começa a cantar, o barulho está me deixando nervosa outra vez. A coisa estranha está voltando, ai meu Deus, se afaste. Pegue as chaves, vai pra perto da porta, corra quando eu disser já. Eu ficarei aqui, se salve, vai. Me obedece, ao menos dessa vez, por favor. Tira o amor da frente, ele não pode trancar a saída. Faz qualquer coisa mas, de qualquer forma, o tire do caminho. Acho que entendi, não existe força pra arrancar isso dai né? mas o que a gente faz? Não posso deixar de amar, nem por um segundo, não me peça isso. Tudo bem, confesso que foi uma coragem urgente, não deixaria de avisar pra tomar cuidado com, principalmente, o amor. Calma, respira, encontraremos a solução. Já sei, volta pra cá, a gente pode ficar em silêncio absoluto o tempo que for necessário. Aposto com você que logo logo eles vão embora pra sempre. Não idiota, essa aposta eu tenho certeza que eu ganho. Não fala mais nada, um dia toda essa estranheza vai embora, eu juro. Cuidado também com o meu silêncio, ele está diante de você agora, não se machuque trombando nele, por favor, não me restaria mais nada. Não, eu não ia esquecer daquilo que não nos deixa fugir, claro que não ia. Me alcança aquela alegria abstrata, preciso trocar de roupa antes de tentar novamente. Psiu idiota, chega de falar bobagens. Psiu, se acalma, seja lá quem você for, quero que saiba que, enquanto ficarmos aqui, eu cuido de você... eu cuido de vo.. eu cui..
Aiiin...
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Adorei aqui e o nome do seu blog é divino, boa imaginação, seguindo ok.
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