domingo, 10 de abril de 2011



Nos primeiros minutos chovia. Havia calma, meu Deus, como tinha pedido por isso. O sorriso sendo pintado no rosto. O espelho, a água da torneira escorrendo inesgotávelmente, o mantra em repetição misturando-se com os desejos bons. Chovia mais forte. Lembrava de dias passados, certamente felizes, uma saudade e tanto - daquilo que ainda viria, daquilo que passou, daquelas pessoas, daqueles momentos. Saiu de casa, dessa vez não tropeçou. Sentou atrás de uma cortina preta, certamente amassada. Respirou fundo sete vezes. Agradeceu muito. A alegria interna se instalava como se quisesse morar ali pra sempre, ou melhor, como se morasse sempre ali. Mãos, corpos, refúgios. Sinais sonoros - três vezes, depois mais três. Ria. Voltou cinco anos atrás, uma oração, a continuidade. Avançou mais um pouco. Era tão abençoada. Tinha o melhor - tinha certeza. Cruzou a ponte, a música começou. Muitos rostos, muitas luzes, muitas vozes. Resumiria com a palavra amor, certamente. A chuva não mais chegava ao solo, havia cessado, só por ela. Gritava por liberdade, sem saber gritar. Só desejava aproveitar, enquanto ainda tinha tempo. Vontade de abraçar o mundo, de beber os sonhos. Fome de abraços, risadas e cumplicidade. Tinha - acreditava. Os meios definitivamente justificavam os fins, ou o correto seria dizer que os fins justificavam os meios? Não sabia, e não se importava. Não lembrava que todo esforço acabava com a frase clichê de que "valia a pena". Apesar da pequena amnésia, sabia que ainda era a hora. Era tudo muito simples, e tudo muito bonito também. Novamente agradeceu, novamente sonhou. Nos primeiros minutos soube - irremediavelmente - o quanto era feliz.

Um comentário:

  1. Nossa, eu penso que imaginei tudo isso... Ou será que vi? Em alguns olhinhos por ai? Enfim, ótimoo! (como de costume)

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