"Eu não sei em qual momento eu me perdi, só sei que não procuro mais descobrir ou recuperar o que foi perdido. Fui fraca, inteiramente fraca, me deixei levar. As pessoas me chamando, os meus próprios fantasmas me levando pela mão pro sem volta de mim. E sabe, havia sim uma pontinha de esperança de que tudo ficaria bem a partir dali... não ficou. O que no começo era divertido, passou a ser só ilusão. Então coloquei uma máscara tão firme, que um tempo depois de a ter colocado eu já não sabia o que era o meu rosto e o que era artifício. Me tornei uma pessoa completamente diferente e fui matando o meu "eu" verdadeiro aos poucos, só sobrou o inventado, o transformado e eu perdi totalmente o controle dos meus pensamentos e das minhas ações. Ganhei uma coragem falsa e um punhado de dores novas, sempre revestidas de inconsciência e confusões. Pura insensatez. Mas eu não culpo ninguém, nem a mim mesma. Quando estou aqui parada - sob nenhum efeito - de longe eu enxergo as chances, mas não consigo alcançar sozinha. A gente muda cara, é isso, às vezes por escolha, às vezes pela falta dela, e tantas outras vezes pra fugir daquilo que nos dá mais medo. Você pode achar que é exagero da minha parte, mas é tão fácil se perder, sabia? Então continuo vagando por aí como se uma desconhecida vivesse dentro de mim. Até quando? Não sei, vou levando a minha vida enquanto ela não me leva."
Texto encenado na peça Tá Inverno no Inferno - Abril de 2011.
... Simplesmente MARAVILHOSO!! Texto lindo que me dava uma puta força! =)
ResponderExcluir*Saudades.