Não deixar que te esmaguem e sufoquem, não deixar de ver e sentir aquilo que realmente importa. A paixão virando conto, o amor virando realidade, a vida caminhando - meio aos trancos - pro lado do sim. Afinal, o verão está quase ai e o espaço pra dor está propicia a diminuir bruscamente - assim esperamos.
Me olham nos olhos, fixamente. Vejo como se estivesse embrulhada em uma cortina gasosa. Não há ninguém. Vontade de deitar no chão e sentir a poeira das emoções repousar sobre o meu corpo desajeitado. Como se depois de tanto tempo duro houvesse uma pequena fresta pra respirar, um buraco na camada, um espaço pra tentar sair daquela espécie de casca. Diria - ou melhor - gritaria que não quero nada além do sorriso interno. Essa coisa batalhada, essa coisa sem avisos ou garantias. Ouvindo aos poucos aquilo que falam baixo, e sabe baby... eles falam falam e falam. Mas meu bem, posso eu te falar agora? Depois que algumas coisas sumiram e que outras voltaram pro lugar tudo tem caminhado lentamente pra melhor aceitação, eu digo aceitação pra não dizer outra coisa e ficar tudo meio evidente demais. Estamos em total evidência, cada detalhe exposto, cada espera em seu devido lugar. Então, a única coisa a ser feita agora é arrancar a camada que circula o corpo, é abrir os olhos de vez – ou seria outra vez? E por fim olhar fixamente nos olhos de quem realmente vê, sem esperar nada em troca.
" - Mas tenho assim... aquela coisa... como era mesmo o nome? Aquela coisa antiga, que fazia a gente esperar que tudo desse certo, sabe qual?
- Esperança? Não me diga que você está com esperança!
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