sábado, 5 de outubro de 2013

viajando em nós.

Dei pra pensar nas pessoas como se elas fossem cidades, estados e até países. Por exemplo, já no décimo encontro, olhei no rosto dele e me dei conta que ele era meio São Paulo... justo em um momento em que eu era completamente Recife. Nossas localizações, naquele momento, eram opostas. Mas já fui São Paulo também, e não fazia questão nenhuma de parecer Natal. Esses dias, andando na rua, percebi que tenho um ar meio reservado de Londres, enquanto muitas das pessoas a minha volta, tranquilos e felizes, parecem o Havaí nos melhores dias de surf. Às vezes me sinto meio como se eu fosse o Japão, algo distante demais para ser encontrada ou entendida. Às vezes só vejo gente Nova Iorque, correndo de um lado pro outro, mas acostumada e, sem vergonha, da loucura. Esses dias beijei um Rio de Janeiro, e cheia dos receios fui logo sendo Curitiba. Já dei de cara com muita gente Buenos Aires, que tinha amor pra dar e vender... mas também já cruzei com muito maluco Jamaica que só pensava nesse lance de paz. Meus amigos são meio Floripa, estão acostumados a pegar pesado durante o dia, mas só querem relaxar e curtir durante a noite. Meu pai é a Índia, com certeza. Minha mãe é meio Rússia às vezes (toda mãe é). Minha primeira paixão? Califórnia. Meu primeiro namorado? Alemanha (a gente nunca tem certeza de como é estar lá). Meu coração depois daquela história? Antártica. Hoje tenho tentado ser mais Bahia, levar a vida menos a sério, e o sol tem me derretido. Ainda quero ser Itália, conhecer alguém que seja Los Angeles e aproveitar muito aqueles que forem México. Tenho dias Porto Alegre, Brasília e Belo Horizonte. Às vezes sou uma segunda-feira cinza Irlanda e tantos outros sou uma sexta-feira ensolarada Brasil. Gosto de gente Canadá. Acho legal quem me causa vontade de ser melhor, como as pessoas África. E sou completamente apaixonada por pessoas Paris que me inspiram aos montes. Mês passado sonhei com um Portugal e acordei sorrindo feito Dubai. Odeio gente que acha que é Hollywood. Sinto falta de abraços misteriosos feito Egito, mas adoro quando uma pessoa me abraça feito Maceió, quente e hospitaleiro. Beijo Paraguai? Nem vem. Prefiro aqueles tímidos de gente do interior. Tenho pensando em desvendar pessoas Sri Lanka, das quais acho o nome engraçado, mas não sei nada sobre. Já quis ser amiga de pessoas China, mas muitas delas se acham a maior potência do mundo e meio que me cansam. Já quis casar com um Madagascar, mas depois de um tempo ele me pareceu muito infantil. Quero evitar pessoas Iraque, e sei que posso estar sendo preconceituosa, mas tenho preferido as Grécia que, ao menos, parecem ser mais calmas. Quero amar feito Veneza, me divertir feito Cancún - ou Vegas - e sonhar como Orlando. Quero conhecer todos os tipos de gente. Quero pisar em cada canto do mundo. Quero me encontrar e me perder nos pólos. Um dia, eu sei, ainda serei continente, pois tenho abrigado todas essas pessoas em mim e ainda tenho muitos lugares para viver.

Nenhum comentário:

Postar um comentário