terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

III

Cure-se desse sentimento. Tu bem sabes que ele não leva a nada. Desinfecte-se de tudo o que ousou dar, mas não deu. A vida, pequena, só se faz nova se nos permitirmos a despedidas. Eu bem sei que não é simples, mas - num determinado momento - é preciso decidir mudar. Esqueças daquilo que te fez chorar e fiques apenas com os minutos contornados de sol. Siga em frente, por mais banal que isso te pareças, é sempre o que deves ser feito. Limpe-se de antigas expectativas e promessas. Esvazie essa tua retina que, acredito eu, viu muita gente indo embora e pouca gente sabendo ficar. Não culpes o céu, nem os erros de alguém. Fiques apenas com a certeza que é assim que tem que ser. Teimosia, na maioria das vezes, só te incriminas de crimes que tu nunca fez. Enfrente-se e perguntes a ti mesma qual é o rumo que tu queres tomar. Prantear debruçada ao passado és como perder de vista todas as oportunidades singelas que acenam a cada nova esquina. Permita-se olhar o antes com carinho, mas não deixes escapar nada que estás por vir. A vida, pequena, é saber se reconstruir sem deixar nenhum pedaço importante jogado por aí. Logo tu verás que fomos feitos pra recomeçar, e convicta faça-o sabendo que nada foi ou será em vão. Cure-se de ti e voltes a dançar sob as estrelas, pois elas nunca se apagam.
 Foi o que eu fiz.

Um comentário:

  1. "A vida, pequena, é saber se reconstruir sem deixar nenhum pedaço importante jogado por aí."
    Pois é. Lindo texto, como sempre!

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