segunda-feira, 15 de outubro de 2012

corra de mim (ou pra mim) agora.


"Confie no amor que te dá confiança, mas confie ainda mais no amor que te dá medo - este é para toda a vida. " - Fabrício Carpinejar


Eu te apavoro, não é? Te encho de coisas que você não sabe explicar, chego muitíssimo perto, te assusto com esse meu jeito meio manso meio urgente meio louco meio estranho meio estabanado demais. Eu te trago medo, não é? Como se eu fosse a highway que faz você se perder, dando a sensação que você está sempre na contramão, fora de rumo. Como se eu fosse as ondas do Hawaii que tu não sabe se pode dropar. Eu te assusto, não é? Porque te espero na chuva enquanto você pinta o sol, tentando se desvincular de qualquer tentativa minha de entrar pela janela do seu quarto e é óbvio, porque faço você quebrar as regras e meio que obrigo você esconder as leis embaixo da cama. Você meio que detesta bagunça e é isso que eu represento. Tenho em mim todas as essências pra te causar o caos e quero a toda hora te tirar desse regime que te deixa com fome de vida. Aposto que você tem a impressão de não saber onde está pisando, porque sempre teve muita segurança nos seus sentimentos e tudo o que eu sei fazer é te dar confusões. Te apavoro porque meus sonhos não cabem em potes, porque gosto de fugir pela cidade e tu se engana achando que precisaria colocar muito na mala pra me acompanhar. Concordemos, às vezes sou excesso, danço exageradamente, falo coisas que ninguém entende, digo o que estou sentindo antes-durante-e-depois e isso eu sei, assusta um bocado. Sei também que pareço um pouco ansiosa, lotando sua caixa eletrônica, te escrevendo cartas enormes e tentando de tudo pra você olhar pra mim. Eu te deixo em pânico, não é? Sou muito do agora, do quero-te-ver-hoje-sob-a-luz-da-lua-cheia ou então do oi-estou-no-seu-portão-nesse-exato-momento. Como se você precisasse se esquivar do que eu te causo, do que você não entende e daquela insanidade desmedida que surge quando minhas palavras afetam a sua lógica. Eu te encho de terror porque quero chegar até tua alma ao tocar a sua pele, porque te tiro do lugar e principalmente porque vivo tentando te tirar do chão, te tirar daqui e te dizer que a realidade não basta. E você quase não nota, porque o medo faz a gente fechar os olhos e nem se apresenta como tal, e você quase não percebe porque acha melhor-deixar-isso-pra-lá.  Eu te faço tremer na base, não é? É normal, nada mais que uma reação orgânica&humana, até porque eu sei que pareço mesmo uma parafernália de sentimentos e o escambau. 
Desculpa se estou viajando demais, mas essa foi a melhor resposta que consegui encontrar... Eu te apavoro porque ouso gostar verdadeiramente de você como ninguém e porque só-consigo-acreditar-que-é-tudo-isso-que-nos-leva-adiante. 
Assim é mais fácil justificar as nossas corridas.
(e isso sempre vai me apavorar).

[num dia desses de um ano terminado em número ímpar]

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